Sul de Santa Catarina na tevê

Como de praxe, estou sempre ligado no que pinta de especial sobre o Sul de Santa Catarina, berço deste que aqui escreve.

Pela terceira vez em menos de um ano é que a Globo dá amplo espaço para mostrar as belezas deste chão. O Brasil assistiu primeiro, com o projeto Brasileiros, a região da Encosta da Serra Geral e a prática da agricultura agroecológica, em 8 de julho de 2010. Na segunda oportunidade, o especial Globo Mar mostrou Jaguaruna e Laguna, com a prática de tow-in na Laje da Jaguaruna, em 10 de julho do ano passado. Agora, semana passada, no dia 16, o Globo Mar voltou ao sul de Santa Catarina. Desta vez para mostrar a linda Ibiraquera, uma das praias de Imbituba. Se você perdeu, aproveite para rever o programa agora:

 

Ver tudo o que sempre achei o que há de melhor na região onde nasci e me criei me enche de orgulho. Mas creio que a maioria das pessoas que moram por lá (eu estou no Rio Grande do Sul), ainda não valorizam a própria terra.

Primeiro, porque as praias do Sul de Santa Catarina foram dominadas por gaúchos, que mais visionários, resolveram empreender, apostar. Hoje, um cidadão sul catarinense se sente praticamente um estrangeiro na Praia do Rosa, por exemplo, onde a maioria das pousadas, bares e etc são de pessoas de fora. É, o pessoal chegou antes e tomou conta enquanto nós, “nativos” dormíamos no ponto.

Em segundo, quando alguém visita Tubarão, polo da região entre Florianópolis e Criciúma, perto da Serra Geral e das lindas praias de Laguna, Imbituba e Garopaba, é comum que conterrâneos teçam comentários do tipo: “O que tu vem fazer aqui? Aqui não tem nada pra ver, pra fazer”. Pra mim isso nunca existiu. Amigos e amigas que estiveram em minha companhia em Tubarão sempre tinham o que fazer: conheciam as águas termais da Guarda e do Rio do Pouso, viam o pôr do sol no Rio Tubarão ou na Ilhota, conheciam o Alambique do Tio Ivo, no Rio do Pouso Alto, e visitavam o Sertão dos Correias, com suas cachoeiras e farta gastronomia italiana. Sem falar no restante da região, como as dunas e lagoas de Jaguaruna, as Termas de Gravatal, a Serra do Rio do Rastro e do Corvo Branco, o Museu ao Ar Livre e o Paredão do Zé Diabo, em Orleans, e os vinhos e festas italianas de Urussanga e Pedras Grandes, e germânicas de São Martinho e Santa Rosa de Lima. É, temos motivos de sobra para nos orgulharmos: falta apenas enxergarmos isso.

Exceção à beleza, também houve uma reportagem da Globo, veiculada em 10 de outubro de 2010, sobre a maior tragédia brasileira dentro de minas. Matéria era uma suíte sobre o acidente com os mineiros chilenos, mostrando a explosão de uma mina de carvão em Urussanga, em 1984. Além de poluidora, acabando com os Rios Araranguá e Tubarão, a atividade mineradora impõe aos mineiros condições insalubres e precárias de trabalho. Meu pai, que sempre cobriu os acontecimentos na região quando era repórter, cansou de ver acidentes, maioria de menor repercussão, com os mineradores do carvão. Há muitos casos que sequer chegaram ao conhecimento público por meio da imprensa regional. Os donos das empresas de extração são pessoas poderosas, de grande influência.