Experiência de viagem: Porto de Galinhas + Recife + Olinda, Pernambuco

Este é um post que venho querendo elaborar há tempos. No final de junho e começo do mês de julho, eu e a Moni estivemos por cinco dias na bela Porto de Galinhas, praia do município de Ipojuca, distante aproximadamente 50 quilômetros do Recife e 3,9 mil quilômetros de São Leopoldo, aqui no Rio Grande do Sul.

Quando preparamos esta viagem, mais do que nunca aprendemos a importância que tem o compartilhamento de experiências. Aqui segue nossa colaboração. Espero que ajude mais pessoas na hora de escolher este destino para uns dias de férias.

Dupla

Nosso roteiro teve como sede Porto de Galinhas. Ficamos no hotel Pontal de Ocaporã, na Praia do Cupê, distante 7 quilômetros da Vila de Porto de Galinhas. De lá, fomos passear na própria vila, na Praia de Carneiros, Recife e Olinda. Fomos por um pacote de cinco dias, adquirido junto a agência Paralelo 30, de São Leopoldo, com operação pela Luxtravel. O custo disso foi de R$ 3,2 mil (aéreo+transfer in/out+hotel com meia-pensão), além dos R$ 700 gastos com passeios, refeições à parte e souvenirs. Decidimos fazer assim, pois era nossa primeira experiência longe do Sul do Brasil e julgamos mais conveniente.

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Clima

Nesta época do ano, é comum dias menos ensolarados, mas demos sorte. Dos quatro dias lá, dois foram de sol e dois chuvosos. No entanto, com sol durante o dia, a chuva sempre chegava à noite, com hora marcada: às 21 horas. É o inverno nordestino. No dia mais frio, encaramos 23 graus. No entanto, de dia, facilmente o termômetro chegava aos 30 graus. Destes dias, apenas um foi de sol de rachar, sem uma nuvem no céu.

Também importante lembrar que no Nordeste brasileiro o sol nasce mais cedo e se põe antes do que no Rio Grande do Sul. Em Porto de Galinhas, 6 horas já tem sol alto e às 17 horas já está anoitecendo. Portanto, nada de ficar dormindo até às 10 horas. Aliás, até porque o banho de mar tem que ser pela manhã. À tarde sopra nordestão e o mar fica muito, mas muito mexido e alto, ficando perigoso demais.

Pontal de Ocaporã

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O hotel é muito bom. Não vou dizer excelente, mas foi muito bom. Chegamos à 1h30 do dia 30 de junho. Pessoal muito atencioso, que nos atendeu muito bem. O café da manhã é servido às 7 horas, mas poderia ser mais cedo. O jantar, servido num buffet de culinária internacional também é muito bom, porém, quem gosta de carne de gado, sofrerá. Pelo menos lá notei que as carnes são duras e sem muito gosto. Em compensação, a culinária local é nota dez (frutos do mar e comida nordestina).

O único problema, de fato, foi a demora no aquecimento da água para banho no quarto. Como estávamos no inverno nordestino, convenhamos, 23 graus de temperatura ambiente é pouco desconfortável tomar uma ducha sem água quente. Ficamos esperando umas 3 horas até que o tal do boiller aquecesse a água.

No mais, os quartos estavam em perfeita ordem: limpos, com nada fora do lugar. Um dia fomos passear e na volta, nosso quarto estava todo decorado com flores de hibiscus. Algo muito legal e que encantou a Moni. Aliás, o hotel é todo no meio da mata atlântica, com muito verde, em especial, coqueiros. Até os saguis faziam questão de aparecer para os hóspedes. Engraçado mesmo foi a gente se trancando no quarto, achando que os macaquinhos poderiam levar alguma coisa nossa embora.

Refeições

Nosso pacote, por opção, foi com meia-pensão, que incluía apenas o café da manhã. A estratégia era gastar menos com refeição. Então, tomávamos aquele café da manhã reforçado e depois íamos desbravar a região. No primeiro dia, pegamos um táxi e fomos até a Vila de Porto de Galinhas. Conhecemos um taxista, o Juarez (você irá ler mais sobre ele neste post), que fica sempre nas redondezas da entrada do hotel. Ele nos cobrou R$ 25 para ida e volta, com hora marcada. Então, saiu barato.

Em Porto de Galinhas, acabamos nos distraindo pela paisagem, com aquele mar cristalino e o monte de jangadas. Pegamos uma porção de camarão ao bafo, vendida por ambulantes, e pedimos uma bebida e bebemos e comemos num bar à beira-mar. Mas o tempo foi passando e ficamos sem almoço. Então passamos num “supermercado”, que para eles lá é qualquer mercadinho, mercearia, e compramos algumas coisas também para comer e beber à noite, já que não pretendíamos jantar no hotel. Aliás, a Coca-Cola lá é muito cara. No frigobar era R$ 4 uma latinha. Na vila compramos 1,5 litro por R$ 3,50. Também compramos um bolo de rolo, que é o nosso rocombole daqui, mas com massa fina, mais gordura e recheio de doce de goiaba. Em um lugar no centro do Recife, dias depois, descobrimos que isso chegava a ser vendido por até R$ 40. Mas o nosso custou R$ 6 por metade de um.

No segundo dia, na Praia de Carneiros, o lanchinho da manhã foi um acarajé, servido por uma tendinha montada num banco de areia. No almoço, pedimos um camarão ao molho de coco no único restaurante da praia. Estava muito bom, mas salgado. Custou R$ 89,00 para o casal. Para refrescar, mais tarde, água de coco.

Calor

À noite, no hotel, pedimos um lanche. Comemos um bauru, que para eles, é carne, pão, cebola e pimentão, sem molho, sem nada, e batata frita. Custou R$ 11 cada um. Mas era gostoso, diferente, mas gostoso.

No terceiro dia, comemos um “burguer” no Centro do Recife. Igual ao bauru, mas não acompanhava batata frita. E isso é algo mais próximo de um xis daqui do sul. Comemos também mais algumas especiarias, como um bolo de banana, muito gostoso, servido por cortesia de uma padaria ao sabermos que somos do Rio Grande do Sul. E isso foi numa área de Recife que mais parece a Voluntários da Pátria, em Porto Alegre. Aliás, foi lá que descobrimos que mercado é feira de rua, pois procurávamos e nunca achava. À noite, antecipando a despedida, o jantar no hotel, que custou R$ 38.

Um detalhe da ida e da volta: a Moni, com fome, comprou duas saborosas empadinhas de frango na Estação Aeroporto da Trensurb. Mas não deu tempo de comer antes de embarcar. Levamos para o avião e foi o que salvou a gente. Nas conexões não daria tempo para uma refeição com aqueles aeroportos abarrotados de gente e metendo a faca no bolso do cara. E o lanchinho da TAM, embora ainda melhor do que de outras companhias, não nos saciou.

Passeios

O mais barato foi a nossa ida até a Vila de Porto de Galinhas, onde acontece, digamos assim, a vida social. Pagamos aqueles R$ 25 aos Juarez e fizemos nosso passeio por lá. O local é muito agradável, familiar. No entanto, prepare-se. Foi lá que descobrimos que o nordestino é gênio em querer te vender de tudo. E as ofertas são sedutoras. Algumas coisas são por R$ 1, outras parecem de graça, mas depois tu acaba se sentindo obrigado a contribuir. Mas não se trata apenas de artesanato. Tentam te vender comida, passeios, etc. Enfim, nada é muito caro por lá. Mas como dizemos por aqui, é de grão em grão que o passarinho enche o papo. E foi assim que gastamos muita grana. O artesanato é muito colorido, bonito e barato, o que te faz adquirir muita coisa.

O fato de não termos incluído passeios no pacote, nos deu a liberdade de escolha. Ao chegarmos no Recife, a empresa do transfer, a Luck Receptivo, ofereceu passeios, pagos avulsos. Mas com a descoberta do Juarez, conseguimos belos descontos. A Luck estava cobrando R$ 180 por casal para ir até Carneiros. Conseguimos por R$ 130 o casal, incluindo o ingresso para o catamarã, que leva o pessoal do Píer de Guadalupe até a praia. Para o Recife e Olinda, que era também R$ 180, saiu por R$ 150. O bom, neste caso, é que a gente podia fazer o que queria, ficar o tempo que queria num lugar. Algo impossível de se fazer quando se está em grupo, que era o caso da opção oferecida pela Luck.

O Juarez é um típico nordestino. Com a pele marcada pela cor do sol, de conversa mansa, com aquele sotaque, era mais que um motorista. Fez as vezes de guia e de segurança. Como guia, falava dos lugares que a gente estava passando. Como segurança, já chegou dando instruções de como nos comportar diante da carrada de guias que há no Centro Histórico de Olinda. Também se preocupava em falar com os caras e não é que nenhum deles veio nos importunar? Foi ótimo.

O carro de Juarez era um Siena, com a lata manchada pelo sol. Por dentro, era um carro em boas condições. Na estrada, dirigia muito bem, com prudência.. Nos passou segurança no que sabe fazer de melhor, que é dirigir.

Carneiros

O passeio para a Praia de Carneiros foi uma escolha por várias indicações de amigos. E valeu muito a pena. É uma praia, daquelas, paradisíacas, de onde você não quer nunca mais sair de lá. Você vai de manhã e volta à tarde, tudo de catamarã, que tem até um conjunto mandando a ver no forró. Pela manhã, maré baixa, é possível andar pelos arrecifes e até mergulhar com peixes que ficaram presos em verdadeiras piscinas naturais. Basta alugar um snorkel no local. Também há passeios de charretes tracionadas por jegues. Há ainda uma igreja histórica. O único porém é a falta de opções de refeição. Há apenas o Bora-Bora, muito bom, por sinal, mas é caro. Contudo, ele conta com um “cestódromo”, para quem curte fazer um soninho depois do almoço.

Para o Recife e Olinda, o passeio começou pela Praia da Boa Viagem, passando depois pelo Centro Histórico e Antigo Porto, indo para as ladeiras de Olinda e terminando no Centro do Recife. Foi um bom city tour. Conhecemos pontos como a Antiga Rua dos Judeus, as pontes de Recife, além da praia da Boa Viagem e do Centro de Cultura, que funciona num antigo presídio.

Recife

Em Olinda, além das ladeiras e do rico patrimônio histórico, o artesanato de Caruaru é lindo demais. Colorido, vivo. Impressionava aos olhos. Também nos deparamos com uma dupla de repentistas, que cantaram para nós até pagarmos R$ 20 (mas eles queriam R$ 30).

A ida e a volta

Nosso voo estava marcado para às 18h04 do dia 29 de junho. Estava programado voarmos até o Galeão, no Rio de Janeiro (GIG) e de lá fazer conexão e continuar até Recife (REC). Chegamos no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (POA), com duas horas de antecedência, como de praxe. No entanto, ao fazermos o check-in, por volta das 16h35, a TAM informou que aquele voo estaria cancelado e nos alocou num com destino a Brasília (BSB) com saída às 17h15 (!). O funcionário ainda disse que a companhia havia avisado a agência de viagem. Informação que desconfiamos, pois a agência nos comunicava tudo, e as companhias aéreas são campeãs em alterar o planos em cima da hora e deixar o passageiro na mão. Por pouco não perdemos o voo de ida.

Aliás, parecia uma vantagem ir por BSB. Mas não é não. Além de atravessarmos o aeroporto de cabo a rabo, era tanta gente que mais parecia uma rodoviária. Detalhe para o monte de políticos por lá com cada papinho nas rodas de conversa (é, o Brasil está perdido). E os portões de embarque mudavam a toda hora na mesma proporção em que era quase impossível de achar um funcionário da TAM. Foi a prova cabal de que a infraestrutura não acompanha o crescimento econômico na mesma velocidade.

A chegada em REC foi tranquila. O comandante do voo parecia um tanto mal humorado e não deu as informações de boas vindas à cidade. O bom foi que as bagagens chegaram rapidinho na esteira. Esperamos menos de 10 minutos. No entanto, esse rolo da TAM em Porto Alegre, por pouco, não nos fez perder o transfer em Recife, uma vez que a operadora não sabia do nosso voo (o que nos levou a crer ainda mais que a TAM tentou passar o “migué” na gente).

A volta foi mais tranquila. O retorno foi via GIG no dia 3 de julho. No entanto, no bilhete não havia o portão de embarque de GIG para POA. Ficamos apenas atento ao painel de informações da Infraero. Deu certo, mas não passou segurança. Perguntamos sobre o voo para um funcionário da TAM, que “gentilmente” nos disse para ficarmos atento ao painel (não gostamos). Na chegada, em Porto Alegre, a tradicional demora na espera das bagagens: cerca de 30 minutos na esteira (detestamos, ainda mais cansados, depois de um dia inteiro voando).

E aí, a pergunta: vale a pena?!

Nossa resposta é sim. Aproveite o máximo, porque é uma experiência muito bacana e que só um País do tamanho do nosso consegue proporcionar.

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