Os perigos escondidos na Cordilheira dos Andes

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Eu não sou montanhista. Estou longe de saber de técnicas de escalada. E no entanto, desculpe a modéstia, sei o quanto a atividade de montanhista é indissociável do perigo. Nas poucas vezes que encarei a montanha (e nem foram as mais altas), geralmente na nossa Serra Geral (Aparados da Serra, Serra Catarinense, Caraá) notei o tamanho dos riscos. Há penhascos, pisos falsos, pedras soltas e encostas instáveis e quando firmes, são escorregadias. Poderia enumerar uma série de focos de acidentes para poder dizer que subir um pico requer muita prudência.

Na edição deste dia 4, o ABC Domingo trouxe duas reportagens pertinentes: o sucesso montanhista Gilberto Thoen na escalada do Aconcágua, na Argentina, e a confirmação da morte do engenheiro brasileiro Felipe Santos, de 28 anos, que estava desaparecido desde a última quinta-feira, quando tentou subir o vulcão Villarica, no Chile. Ambos os fatos na Cordilheira dos Andes.

Gilberto Thoen, empresário e montanhista de Novo Hamburgo, com o qual tive a honra de entrevistar para a reportagem do ABC Domingo, revelou que não pretende voltar ao Aconcágua. A maior montanha da América Latina, do hemisfério sul, com 6.959 metros de altitude, segundo Thoen, “é indócil”. “Não há glamour. O vento forte, as mudanças repentinas nas condições climáticas e a temperatura extremamente baixa são traiçoeiras. Tornam qualquer subida algo desgastante. É preciso ter cuidado redobrado, já que os Andes passam a impressão de não oferecer tanto perigo”, acrescenta.

Thoen disse que encarou o Aconcágua acompanhado de um experiente guia montanhista. O guia é pago, mas tem o pleno poder de desautorizar seu cliente a subir a montanha. “Se não há condições, não sobe. Não se pode correr riscos, até porque não há resgate”, explica.

O guia tem papel fundamental numa expedição. Felipe desapareceu na última quinta-feira (1º de março) ao escorregar e cair em uma fenda próxima do vulcão Villarrica, situado a 800 quilômetros ao sul de Santiago. A polícia chilena abriu investigação para apurar se houve negligência dos guias ou descuido do brasileiro, apesar de a agência de turismo que fez o passeio informar que segue todas as normas de segurança. Conforme os guias, os turistas usavam equipamento básico de proteção, como capacete, grampões, para fixar as botas de neve, e piolet, ferramenta utilizada para escalar a montanha e para frear na descida.

Mas não precisamos ir longe para saber que devemos respeitar a montanha: “vira e mexe” há sempre alguém que resolve entrar nos cânions dos Aparados da Serra, sem guia, para de lá, nunca mais sair vivo.

Esteja atento!

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* Este post está publicado no portal do Jornal NH, Jornal VS, Diário de Canoas e Jornal de Gramado. Confira aqui o material original