Os lugares anônimos onde a neve cai

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O inverno vai “recomeçar”. Preparem os agasalhos. O último boletim da Metsul Meteorologia (que pode ser conferido no site www.metsul.com), aponta chance (é, chance, porque quase sempre é pequena de acontecer) de precipitação de neve entre segunda-feira e terça-feira desta próxima semana nas áreas altas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Aliás, o professor Eugenio Hackbart, diretor da Metsul, confirmou este prognóstico durante o programa Hora do Rush, da rádio PopRock, às 18h30 desta sexta-feira.

No entanto, qual sua reação ao saber de um anúncio assim?

– Vamos para Gramado!

Certo, mas se você estiver em Santa Catarina…

– Vamos para a Serra do Rio do Rastro!

Pois é… Mas se eu te disser que correr para estes lugares exclusivamente para ver neve é uma besteira, você acreditaria?

Bom, não há uma estatística concentrada que confirme o número de precipitações em uma determinada região, apesar do livro Neve do Brasil, escrito pelo responsável da Estação Meteorológica de Campo Bom, geógrafo Nilson Wolff, trazer grande número de informações, ainda assim, difíceis de serem computadas. Mas é notável que a neve é bem pouco vista em nossos principais destinos turísticos: nas cidades de Gramado e Canela

Uma vez conversando com o gerente da Metsul, Alexandre Aguiar, ele disse que todos os anos neva no Sul do Brasil. “No entanto, ninguém fica sabendo, porque pode acontecer de precipitar em áreas isoladas, desabitadas, como no interior de São Francisco de Paula”, exemplificou.

É daí que surgem uma espécie de “caçadores de neve”. Pessoas que se mobilizam rapidamente na oportunidade de ver os flocos brancos de gelo em pleno Brasil, o País tropical. Nessa muvuca toda, já vi gente se sacrificando e, porque não, se arriscando. Em São Joaquim, em 2006, com hoteis e pousadas escassos de vagas, havia pessoas se abrigando dentro de carros enquanto a temperatura beirava os 6 graus negativos.

Lugares poucos lembrados
Foi percorrendo alguns lugares remotos do Vale do Sinos para produzir reportagens para o ABC Domingo, que vi testemunhos da ocorrência do fenômeno. Longe das cidades, moradores de localidades como Quilômetro 50, em meio a Serra da Boa Vista, em Riozinho, de Alto Padre Eterno, em Santa Maria do Herval, e de São José do Herval, em Morro Reuter, relataram que o fenômeno acontece ao menos uma vez ao ano. Mas por ser algo, digamos, comum, praticamente não há registro em imagens.

No mapa abaixo estão indicados, dentro da área de abrangência do ABC Domingo, os lugares nada famosos onde a neve é derradeira. Clique e leia as explicações sobre cada ponto:


Visualizar Onde neva no Vale do Sinos e arredores em um mapa maior

Para se ter uma ideia de como são estas localidades, algumas imagens:

A visão incrível do alto de uma das colinas do Quilômetro 50.

O grande desnível entre o Litoral Norte e os altos da Serra da Boa Vista, favorecendo a formação de nuvens.

Área de campo de altitude em Alto Padre Eterno

São José do Herval está acima das nuvens em dias de nevoeiro intenso no Vale do Sinos.

Dia de pouca visibilidade em São José do Herval. Nevoeiro é característico do contraste do calor do Vale do Sinos e frio do alto da Serra.

Para encerrar este post gelado…

Em Novo Hamburgo, dia 4 de setembro de 2006, neve granular. A foto é de uma rua do Bairro Liberdade. Isso é apenas para lembrar que, a qualquer hora, a natureza pode nos surpreender até mesmo aqui, na parte mais baixa do Vale do Sinos.

Bom final de semana!

Este post está também em www.jornalnh.com.br/penaestrada

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