O norte do Rio Grande do Sul

postado em: Pé na Estrada | 2

O Rio Grande do Sul é dividido em metades: metade norte, metade sul, metade leste, etc. O Vale do Sinos está na metade norte, certo? Também posso dizer que estamos no nordeste gaúcho, se dividirmos o Rio Grande em quatro partes, o que incluiria a região no quadrante nordeste.

Estive em Erechim neste último final de semana. Uma das maiores cidades gaúchas está situada no extremo norte do Estado, a pouco mais de 50 quilômetros da divisa com Santa Catarina. Também está entre as 20 cidades mais geladas do Sul do Brasil, sendo comum ter invernos rigorosos, marcados pela temperatura negativa (que já chegou a 11 abaixo de zero em 1975) e neve, que não é rara. A altitude ajuda: Erechim está situado a cerca de 800 metros de altitude.

Os gaúchos do norte, o que inclui os erechinenses, são de famílias que têm sua origem, em grande parte, nos Vales do Sinos, Caí e Taquari, além da Serra Gaúcha. Eram imigrantes alemães e italianos das chamadas “colônias velhas” que foram “convocados” pelo governo a habitar o norte do Estado por volta de 1910. Também há os poloneses e indígenas, que eram os verdadeiros donos daquele chão até a chegada dos europeus e a implantação da Ferrovia São Paulo-Rio Grande do Sul.

Voltando ao final de semana, fui ao norte gaúcho visitar os Zanin (de origem italiana). Sim, é minha raíz gaúcha. A família lá mora no interior e aproveitei para fazer belas fotos para mostrar aos leitores do blog como aquela região possui um forte potencial turístico, que não é explorado.

Flores do campo: no verão elas dão lugar a lavoura.

A araucária é nativa da região e os pinhais ainda são abundantes. Mas já houve bem mais, antes da expansão agrícola.

Os pinheiros não reinam soberanos. A erva-mate é nativa e estão também reunidos em ervais. Erechim, para quem não sabe, é uma, senão a maior, produtora de erva-mate originalmente gaúcha. Isso porque há ervas que se dizem gaúchas mas são produzidas em Santa Catarina e nem sempre de boa qualidade.

As lavouras de milho, soja e trigo são verdes no inverno, apesar das geadas frequentes. No verão, em época de colheita é que os campos ficam dourados como ouro.

Caminhos da “colônia” em Erechim.

A água que escorre em meio aos campos nativos e arados vai formando afluentes do Rio Uruguai.

O colorido diferenciado do pôr do sol no Alto Uruguai.

Outras atrações
O norte do Estado tem uma forte agroindústria: queijo e salame são especiarias. Acompanhados de um bom pão sovado italiano, é a sugestão do blogueiro para refeição em tendas de produtos coloniais situados ao longo da RS-135 e BR-153. Também tem a culinária colonial, com pratos a base de milho e carnes de porco e frango, acompanhado de deliciosas massas caseiras.

Perto de Erechim, está o município de Marcelino Ramos a principal estância termal do Rio Grande do Sul, situada na margem gaúcha do Rio Uruguai. As águas brotam quentes de um poço de 2,5 mil metros de profundidade, com uma série de propriedades terapêuticas.

Além de curtir as águas termais, há passeio de trem, com uma antiga Maria Fumaça pelo traçado da Ferrovia São Paulo-Rio Grande do Sul, roteiro colonial, chamado “Pelos caminhos da Agricultura Familiar”. A dá para visitar o Santuário de Nossa Senhora da Salete e navegar com o barco Vitória Régia pelo lago formado pela Usina Hidrelétrica de Itá no Rio Uruguai.

A Usina de Itá também merece um passeio. O empreendimento, localizada em Aratiba (cidade do lado gaúcho do Rio Uruguai), gera até 1.450 megawatts de energia elétrica e tem uma barragem com face de concreto de 125 metros de altura.

Um pouco mais distante de Erechim, mas ainda abrangendo parte do norte gaúcho, está a região das Missões, que tem este nome por causa das várias reduções jesuíticas que existiram nesta porção do Estado. Carazinho é o município porta de entrada para as Missões.

Estando por lá, não deixe de visitar os quatro principais sítios arqueológicos: as ruínas das reduções de São Miguel Arcanjo, São João Batista, São Lourenço Mártir e São Nicolau. Além desta sugestão, o editor do blog, que também não conhece as Missões mas ouviu sugestões de quem é de lá ou já foi para os lados de Santo Ângelo, selecionou também outras dez atividades para serem feitas nas Missões: Conversar com os índios guarani, assistir o Espetáculo Som & Luz, percorrer o circuito das imagens Missioneiras, fazer uma caminhada nas Missões, assistir o pôr do sol, visitar o Santuário Caaró, conhecer o artesanato missioneiro, saborear as delícias de Santo Ângelo, a cidade das tortas, e a catedral e claro, conhecer o gaúcho missioneiro de perto, com suas tradições e peculiaridades.

Este post também está em www.jornalnh.com.br/penaestrada

2 Respostas