Jornalismo é trabalho em equipe

Nas últimas duas semanas, o leitor viu no ABC Domingo duas reportagens que são o resultado do trabalho em equipe. Aliás, para quem não sabe, o jornal que chega todos os dias em sua casa é o resultado à exaustão de um trabalho em equipe, formado por profissionais desde jornalistas até o motoboy que entrega o produto final no seu endereço. Para superar as diferenças, naturais, que existem entre essa diversidade de profissionais unidos na produção do jornal, muito diálogo e dedicação de cada um.

No entanto, gostaria de falar estritamente de uma equipe de cobertura jornalística, que é formada por repórter, fotógrafo e motorista. Nos dois últimos finais de semana, o leitor conferiu no ABC Domingo reportagem sobre a BR-101. O fotógrafo Luís Félix e eu, repórter Gabriel Guedes, juntamente com o motorista Carlos Citto, percorremos nos dias 7 e 8 deste mês, o trecho entre Osório e Palhoça (SC) da principal ligação entre Porto Alegre e Florianópolis. A meta foi apresentar ao leitor a realidade da rodovia que será o caminho de milhares de gaúchos rumo ao litoral catarinense neste verão.


Luís Félix e Gabriel Guedes na BR-101, divisa RS/SC

Uma reportagem como essa, que requer longo deslocamento e alguns dias fora de casa, só pode ser considerado bem sucedida quando os três trabalham em sintonia. A tomada de decisões nunca é solitária. “Ah, vamos parar na entrada da Pinheira, pode ser?” e “Vamos almoçar onde, pessoal?” são algumas das dúvidas mais comuns na execução da pauta cuja resposta tem que ser em conjunto. Em outros momentos, a conversa foi entre eu e o Félix: “Félix, tem como fazer uma foto aqui, da estrada, pegando a Enseada de Brito ao fundo?”.

E quando alguém da equipe se sente chateado? O jeito é conversar. E isso é a melhor coisa para resolver entraves que surgem no decorrer da pauta. Afinal, já que é um trabalho em equipe, todo mundo tem que estar de bem.


Motorista Carlos Citto e Gabriel Guedes na BR-101

Em outra ponta, longe da estrada, tivemos o suporte do editor-chefe, Jeison Rodrigues, que providenciou previamente os recursos necessários para os dois dias de estrada.

Também relembro de outro grande momento de esforço conjunto. Na edição deste dia 18 de dezembro do ABC Domingo, em reportagem sobre o Rio dos Sinos, recuperamos parte de um material que havia sido elaborado entre março e maio deste ano, que foi uma expedição nos 190 quilômetros de Rio dos Sinos, de Caraá a Canoas. Na primeira etapa, eu, o fotógrafo Rodrigo Rodrigues e o motorista Rogério Lamb estivemos na nascente do rio, no mês de abril. Na segunda etapa, contamos com a participação do fotógrafo Rivelino Meireles, cujas fotos foram publicadas neste último domingo.

Fotógrafo Rodrigo Rodrigues, motorista Rogério
Lamb e o repórter Gabriel Guedes

Rodrigo, Rogério e eu estivemos por um dia inteiro em mata fechada, atravessando pedras, peraus e corredeiras em Caraá. Foi um dia difícil. Para atravessar as partes mais complicadas de um dia dentro de um cânion, hora eu ajudava o Rodrigo com o equipamento fotográfico, hora o Rogério. Levamos também alguns tombos. E nisso, sempre houve a mão do colega para ajudar a se reerguer. No final de tarde, depois de um dia sem almoço, parada estratégica em Santo Antônio da Patrulha, em momento que aproveitamos para rever os fatos do dia e dar algumas risadas para descontrair.

Um jornal é assim: em cada caractere, em cada foto, em cada traço, está a prova de que é a união que faz a força.


* Post publicado originalmente no dia 19/12 no blog Em Off, dos bastidores do Jornal NH.
Veja aqui.