Ensinamentos para a vida

postado em: Blog do Gabriel, Opinião | 2

Em um movimentado cruzamento de ruas, o semáforo alterna do verde para o amarelo. O motorista de um carro, apressado, dá uma buzinada ao condutor do veículo da frente para que acelere, antes que a sinaleira mude para o vermelho. Incomodado, o motorista que levou o buzinaço faz um gesto nada educado. O que fez o barulho, provocado, para o carro e parte para o soco. O outro arranca um pedaço de madeira de um cavalete da rua e tenta espancar o primeiro. O lamentável episódio, acontecido no Centro de Porto Alegre na última semana, me faz remeter o tal do “homem moderno” ao “tempo da pedra”, onde tudo era conseguido na base caça e luta, feito animais. Não seria nada estranho, claro, se não estivéssemos em 2010.

A vida humana, aos poucos, perde seu valor. Ou melhor, este valor está sendo substituído por virtudes que não refletem na mínima dignidade que cada um de nós merece. Hoje, há quem viva permeado pela ganância e egoísmo, passando por cima dos outros sem dó nem piedade. Um verdadeiro vale tudo.

Precisamos lembrar de nossas origens. Ter um referencial. Não aquele, do tempo da pedra, mas os de nossos avós e pais, da família. Me lembro de dona Maria, minha avó. Moradora de Erechim e funcionária de uma escola estadual, não deixava de ir trabalhar mesmo sob frio, chuva e neve. Sempre alegre, mas nem por isso menos rigorosa, cobrava de mim os “obrigados” até quando as pessoas me davam um mandolate. Em nossas conversas, também sempre me falava que o trabalho faz bem e que a educação é fundamental para ser um grande homem. Em meio a todas estas lições, ainda guri, era brindado por ela com um mate-doce e leite.

Relembrar de momentos assim soa nostálgico. Mas é necessário recordar histórias e conselhos, de que nada cai do céu e sim, é fruto de muito trabalho, e sobretudo também, das lições de respeito e educação com o próximo. São ensinamentos para a vida e que, de alguma forma, precisa ser repassado cedo às crianças, dentro da própria família, se quisermos ter cidadãos civilizados no futuro.

Este artigo foi publicado no Jornal NH de 17 de julho de 2010
e no www.geloemmarte.com

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