A (re)descoberta do Morro dos Conventos

É com muita alegria que volto a escrever a você, leitor dos sites do Grupo Sinos. Durante os últimos 12 meses, período em que estive dedicado a meu curso de especialização em Comunicação em Saúde, optei por abrir mão do ofício de blogueiro. Tudo por receio de não comportar o compromisso de brindar o leitor com dicas e histórias de lugares surpreendentes. Aliás, muitas vezes simplórios lugares, mas ainda assim surpreendentes. Espero que goste deste meu retorno. Ao longo de 2012 pretendo estar cada vez mais próximo de você que sempre pega a estrada rumo a seu paraíso particular, solucionando dúvidas, indicando o melhor caminho, dando aquela força na hora de viajar.

Recomeço então os trabalhos falando sobre Morro dos Conventos, no sul de Santa Catarina. Esta praia de Araranguá já é uma veterana conhecida dos gaúchos, em especial dos que residem aqui no Vale do Sinos e demais cidades da Grande Porto Alegre.

Durante o carnaval, com uma oportuna folga na mão, resolvi visitar minha família em Tubarão, que fica 80 quilômetros ao norte de Araranguá. Sim, é aquela mesma cidade famosa pelos constantes congestionamentos na BR-101 durante essa temporada de verão. Na minha terra, o que meus pais buscavam em um final de semana tórrido era refresco. Mas como ir para as nossas praias preferidas, como Garopaba, Laguna, Farol de Santa Marta ou Jaguaruna, se o fervo da Folia de Momo impedia qualquer chance de se obter “tranquilidade + refresco”? Ah, e ainda tinha o persistente congestionamento na BR-101 no sentido norte.

Foi quando decidimos ir ao Morro dos Conventos. Do “Morro” eu não sabia de muito agito. Nem mesmo quando eu ainda morava no sul catarinense e era um cara de ir em festas e mais festas. Sabia apenas que tinha o famoso baile de carnaval no Yate Clube, na margem direita do Rio Araranguá.

No caminho entre a cidade de Araranguá e seu balneário, um pequeno susto: congestionamento logo pela manhã. Mas era na rótula para onde divergia a estrada que segue para a cidade vizinha de Arroio do Silva. De lá até o Morro dos Conventos, tudo tranquilo. E confirmando nossa expectativa, a tranquilidade estava lá. Nada de gente na rua fazendo bagunça, nada de som alto. Na praia, um público moderado e pouco som. Se escutava perfeitamente o barulho das ondas do mar. Um detalhe que não pode passar despercebido: a praia estava muito limpa. Tanto a areia quanto as ruas da orla. Nada de latas, de garrafas e chepas de cigarro. Foi de impressionar, já que o carnaval na maioria das praias é marcado também pelo excesso de sujeira deixado pelos foliões.

O fato de ser um balneário com um morro ajuda no visual. Principalmente dentro dos retilíneos 180 quilômetros restantes do litoral catarinense, que separam o Farol de Santa Marta de Torres, aqui no Rio Grande do Sul. Mas o que a gente não sabia (eu não sabia mesmo, era a primeira vez que estava por lá), é que o Morro dos Conventos tem um visual matador. Do alto da elevação que empresta o nome a essa localidade, se enxergava um harmonioso conjunto: um rio que parece pintado a mão, de cor azul-esmeralda, contrastando com o vigor do verde da mata no costão e o amarelo da areia das dunas.

Apesar da tranquilidade, sempre há o que se fazer no Morro dos Conventos. Quem gosta de esportes, pode se aventurar no voo livre ou no sandboard, “dropando” nas dunas. E não se preocupe se não tiver prancha: alugue uma e se divirta. Também dá para conhecer Ilhas, a comunidade de pescadores na margem esquerda do Rio Araranguá, acessível apenas por travessia de balsa. E em alguns bares, também ocorrem shows ao vivo a partir do fim de tarde, o que é legal para quem gosta de algo mais badalado. Aos mais zen, vale a pena curtir o nascer do sol do alto do morro.

Se você há tempos não visita o Morro dos Conventos, este é um bom momento. Está feito o convite.

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* Este post está publicado no portal do Jornal NH, Jornal VS, Diário de Canoas e Jornal de Gramado. Confira aqui o material original