A magia ainda está no ar

Acordei hoje maravilhado. E não é mesmo que Deus ajuda quem se ajuda? O Grêmio fez o dever de casa e de quebra conseguiu conquistar uma vaga na Libertadores da América. Claro, com o sacrifício do Goiás. Mas não posso deixar de relatar o quanto isso foi tenso: o Grêmio teve o ano todo para entrar na Libertadores, contando com três chances (a Copa do Brasil, Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro); No entanto, foram nos últimos instantes da partida de ontem, nos pênaltis, depois de 30 minutos de prorrogação e de 90 de jogo no tempo normal, que o Independiente assinava o cheque da maior competição continental para o tricolor gaúcho.

Vá dizer que não é sensacional, mágico? Bom, muitos poderão me contestar (mesmo concordando comigo) alegando que foram as orientações de Portaluppi, etc.

O certo é que este ano que se finda, está repleto de uma aura mágica. Aproveitei a mágica gremista de ontem para falar também do show do Paul McCartney, ocorrido no dia 7 de novembro em Porto Alegre, que foi tão mágico e marcante quanto o feito de ontem. Faz mais de um mês que o evento ocorreu, mas devido a tantos compromissos, não consegui atualizar o blog nas últimas semanas e, óbvio, nem falar e mostrar o Paul como eu queria.

Não vou me ater a detalhes. Entendo pouco de música. Mas tenho bom gosto, acredito. Também não vou relatar de forma minuciosa como foi. Há pessoas, como o jornalista e piloto Flávio Gomes, que escreveu testemunho impressionante. A minha ex-colega de Unicom, a jornalista Juliana Dacorégio, de Criciúma, teceu um verdadeiro diário de uma data que não sai mais da cabeça de ninguém. São dois textos brilhantes, que recomendo aos meus leitores que também os leiam.

Não sei se terei o mesmo brilhantismo para falar do show do Paul. O 7 de novembro estava bonito demais. Sol, bastante sol, apesar do calor. Mas foi dentro do estádio do rival que me deparei com um verdadeiro espetáculo. O fim de tarde colorido era prenúncio do que estava por vir. Aquele céu amarelo no horizonte, azul claro no meio e escuro e estrelado ao alto, e com uma ajudinha da tecnologia, cada um dos espectadores, com celulares ou câmeras fotográficas em mãos, virava uma estrela em meio a multidão.

Eu e a Moni não queríamos perder nada daquele dia. Assim como os outros 49.998 espectadores, gravamos boa parte do show. Era preciso eternizar…

Sem um show de abertura decente, o jeito era aguardar. Até que Paul, às 21 horas, pontualmente, sobe ao palco e começa a tocar. Sem apresentações, sem firula, sem frescura. Simplesmente demais. E essa foi a tônica das três horas de show, que privilegiou a música. Isso por que foi econômico nos efeitos especiais: dois telões de 18 metros de altura e um outro no fundo do palco exerciam o papel de melhorar o cenário e a visualização do espetáculo. A exceção foi na música Live and Let Die, quando se usou fogos para ilustrar os momentos mais dramáticos da canção.

Com 65 anos de idade, o britânico mostrou pique de gurizão, com uma performance impecável. A conversa com o público durante o show, com algumas palavras em português e gírias gaúchas sendo arranhadas por Paul, empolgava o público, junto com canções eternas e globalizadas, como Hey Jude, entoado por todos que estavam no estádio e Paul teve o privilégio de escutar.

Aliás, um show de humildade deste ex-beatle, que ao sair do Sheraton, no Moinhos de Vento, subiu na lateral do carro e acenou para quem aguardava vê-lo nas ruas de Porto Alegre. No palco, chamou uma gaúcha e uma catarinense porque ele iria dar o autógrafo na pele. Sim, as meninas queriam tatuar no corpo a assinatura deste beatle. Uma atitude que surpreendeu a todos. Na última semana, um vídeo postado no site dele, agradecia os mais de 300 mil brasileiros e a argentinos que receberam sir McCartney na América do Sul.

Para encerrar, me lembrei do que disse o colega jornalista Francisco Luz, de Novo Hamburgo: “Depois de Paul, nenhum outro artista menor terá direito de ser arrogante”. É a lição que ele nos deixa junto a eterna memória do show do século do Rio Grande do Sul.